Cemaden Educação e MMA lançam protocolos de educação ambiental para eventos climáticos extremos
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Protocolos orientam comunidades, escolas e gestores a se prepararem para secas, ondas de calor, incêndios, deslizamentos e inundações
Comunidades que já viveram um desastre sabem o peso do medo a cada chuva forte ou foco de incêndio. Onde não há memória de eventos passados, o risco pode ser percebido tarde demais. Para ajudar a responder à pergunta “como agir em uma emergência?”, o Cemaden Educação, o Centro de Educação e Cooperação Socioambiental (CECSA-SP) e o Departamento de Educação Ambiental e Cidadania (DEA) do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) divulgam os Protocolos de Educação Ambiental em Cenários de Eventos Extremos.

Três tempos de ação
Para preparar educadores, gestores públicos e populações vulnerabilizadas, os protocolos combinam ações preventivas, orientações de conduta durante os desastres, medidas em resposta às ocorrências e avaliação dos procedimentos adotados em momentos de crise. Em três tempos, reconhecem que a educação ambiental e a preparação para eventos extremos são um processo contínuo, em constante aperfeiçoamento.
Construção coletiva
As diretrizes nasceram da articulação entre conhecimentos científicos e comunitários, a partir de um encontro em junho de 2026 entre pesquisadores do Cemaden Educação, o DEA/MMA e outras entidades. As recomendações se organizam em quatro dimensões de proteção: conhecimento do risco, monitoramento cidadão, fluxos de comunicação e capacidade de resposta. No MMA, o conjunto é apresentado como Comunidades Preparadas: Guia para Diálogos Autogestionados, resultado de Grupos de Trabalho com pesquisadores, educadores, gestores públicos, especialistas e representantes de diferentes territórios.
Os protocolos são documentos abertos. Servem como ponto de partida para cada comunidade estruturar medidas que façam sentido para o seu lugar e podem complementar procedimentos previamente fornecidos por autoridades e gestores locais.

O que cada material traz
- Diretrizes gerais: bases conceituais e pedagógicas de preparação e mobilização, com destaque para rodas de conversa e formação comunitária. Propõe capacitar moradores a reconhecer perigos locais, agir preventivamente e organizar comitês internos antes dos desastres.
- Deslizamentos de terra: orienta mapeamentos participativos e cartografias sociais feitos pela vizinhança, núcleos comunitários de autoproteção, estações de monitoramento em escolas, simulação de rotas de fuga e identificação de abrigos seguros.
- Inundações, enchentes e alagamentos: aponta a escola como polo de articulação e referência de segurança do território. Prevê voluntários para medir o nível dos rios, uso da plataforma MonitoraEA, comitês de preparação com planos de ação integrados e fundos locais de emergência.
- Incêndios: prioriza Planos de Manejo Integrado do Fogo e redes de vigilância comunitária descentralizadas. Apresenta ferramentas de monitoramento hídrico, campanhas educativas nas escolas e integração com as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) do SUS, para apoio físico e psicológico.
- Secas: trata das vulnerabilidades hídricas sob a perspectiva da equidade e estimula o protagonismo dos grupos expostos nas decisões. Instrui sobre indicadores naturais do ecossistema, controle sanitário de doenças da estiagem prolongada e tecnologias sociais, como cisternas e banheiros secos.
- Ondas de calor: foca na adaptação de infraestruturas, no conforto térmico e na adequação de rotinas de alimentação e de horários de estudo e trabalho. Combina monitoramento de temperatura e umidade, mapeamento das áreas mais vulneráveis e Soluções Baseadas na Natureza, como a arborização urbana, para criar refúgios climáticos.
Um pacto coletivo de cuidado
Segundo o material, não existe um modelo único de protocolo. Cada comunidade, aldeia, quilombo, escola, assentamento, bairro ou coletivo conhece sua realidade e pode usar o guia de acordo com seus desafios e capacidades. Construir um Protocolo Comunitário é firmar um pacto coletivo de cuidado e também um processo educativo, pois, ao resgatar memórias, mapear riscos e identificar lugares seguros, as pessoas aprendem sobre o território e fortalecem os laços de solidariedade. O guia está mais diretamente alinhado à Estratégia Transversal de Educação, Capacitação, Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Plano Clima.
Onde acessar
Os guias e protocolos estão disponíveis, gratuitamente, para download no site do MMA.
