Universidade Federal do Rio de Janeiro/RJ

Título: Projetos Espaço Fluir e Molipdec – “Juntos somos mais fortes”.

Objetivos: 

Objetivo Geral:

O ESPAÇO FLUIR é um projeto de extensão universitária da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) cujo objetivo é possibilitar e estimular o diálogo, a reflexão e a construção de conhecimentos sobre o tema Redução do Risco de Desastres (RRD) associados a movimentos de massa, inundações, alagamentos, dentre outras ameaças, em comunidade escolar na zona Norte do Rio de Janeiro, por meio da mobilização e colaboração de alunos e ex-alunos da UFRJ, especialistas, instituições que atuam na redução dos riscos e desastres e sociedade civil na concepção, planejamento e elaboração de atividades e instrumentos pedagógicos, na instalação de espaços lúdicos e na aplicação de oficinas.

Já o projeto MOLIPDEC, também projeto de extensão universitária da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tem como objetivo propiciar um melhor entendimento da estrutura, organização, procedimentos e documentos utilizados pelos órgãos municipais de proteção e defesa civil, de modo a potencializar ações participativas e estratégias inovadoras que possibilitem a redução dos riscos e dos desastres (RRD).

A partir das atividades colaborativas e de trocas de saberes, propiciadas pelas ações realizadas conjuntamente pelos projetos ESPAÇO FLUIR e MOLIPDEC, tem sido possível compreender, mesmo que parcialmente, tanto as potencialidades quanto os principais desafios enfrentados por alguns municípios do estado do Rio de Janeiro e, assim, propor novas abordagens e melhorias relacionadas às ações preventivas e de preparação para redução dos riscos e dos desastres (RRD), bem como estimular a integração entre União, Estados e Municípios como descrito na PNPDEC.

Objetivos Específicos:

(i) Possibilitar e estimular a aproximação entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a comunidade escolar da Escola Municipal Tagore (EMT), a comunidade escolar do IFF Maricá e membros de Instituições públicas e privadas que atuem e/ou tenham interesse na área de Educação para Redução dos Riscos e Desastres (ERRD) socioambientais (como SEPDEC Maricá, SUBPDEC Rio, COR Rio, UFF, IME, IFF e CPRM)

(ii) Envolver e possibilitar a integração de atores de diversas formações, gêneros, etnias e faixas etárias nas atividades e oficinas temáticas desenvolvidas no âmbito dos projetos ESPAÇO FLUIR e MOLIPDEC, como, por exemplo: professores, alunos e ex-alunos de graduação e pós-graduação de diversos cursos da UFRJ, professores, alunos e funcionários da educação infantil, do 1º ao 5º ano do ensino fundamental e da Classe Especial da Escola Municipal Tagore, Rio de Janeiro – RJ, professores, alunos dos curso técnicos e funcionários do IFF, Maricá – RJ, especialistas do CPRM e da Proteção e Defesa Civil dos municípios do Rio de Janeiro e de Maricá, além da população interessada e demais parceiros da Universidade Federal Fluminense (UFF) e do Instituto Militar de Engenharia (IME).

(iii) Estimular a formação de cidadãos críticos, com conhecimentos suficientes para atuação na realidade física e social, contribuindo para a cultura de redução de riscos de desastres em tempos de mudanças climáticas.

(iv) Aumentar a percepção dos riscos, em especial nas áreas mais suscetíveis e conceber e desenvolver ações educativas que envolvam o conhecimento das causas e efeitos dos eventos extremos.

(v) Estabelecer estratégia de difusão das práticas consideradas adequadas, possibilitando que os envolvidos se tornem agentes multiplicadores dos conhecimentos em suas casas, comunidades e locais de trabalho, visando à promoção de mudanças comportamentais que ajudarão na Redução dos Riscos e Desastres (RRD) – (e também na inclusão, igualdade de gênero, resiliência e sustentabilidade).

(vi) Alinhar as ações desenvolvidas pelos projetos ESPAÇO FLUIR e MOLIPDEC: à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, incluindo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ao Acordo de Paris no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCC), à Nova Agenda Urbana da ONU e ao Marco de Sendai para a Redução de Risco de Desastres 2015- 2030.

Vale destacar que as ações conjuntas dos projetos ESPAÇO FLUIR – UFRJ e MOLIPDEC – UFRJ com instituições e parceiros (ESCOLA MUNICIPAL TAGORE, SUBPDEC RIO, COR RIO, CPRM, SEPDEC MARICÁ, UFF, IME e IFF MARICÁ) estão alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS, à Nova Agenda Urbana da ONU e ao Quadro de Sendai para a Redução de Risco de Desastres (2015-2030).

Destaca-se que o objetivo do Marco ou Quadro de Sendai (2015 a 2030) para a Redução de Riscos de Desastres é a “Redução substancial nos riscos de desastres e nas perdas de vidas, meios de subsistência e saúde, bem como de ativos econômicos, físicos, sociais, culturais e ambientais de pessoas, empresas, comunidades e países”.

O Marco sugere concentrar-se em reduzir o risco de desastres mediante esforços sistemáticos dirigidos a análise e à gestão dos fatores causadores dos desastres, o que inclui: (i) compreensão do risco de desastres; (ii) fortalecimento da governança do risco de desastres para gerenciar o risco de desastres; (iii) investimento na redução do risco de desastres para a resiliência e (e) melhoria na preparação para desastres a fim de providenciar uma resposta eficaz e de Reconstruir Melhor em recuperação, reabilitação e reconstrução.

Público envolvido: 

As atividades são realizadas nos seguintes locais:

  1. Escola Municipal Tagore (EMT)

Coordenadas (latitude; longitude): -22.887693; -43.302498

  1. Escola Politécnica da UFRJ

Coordenadas: -22.858830; -43.230526

  1. Serviço Geológico do Brasil (CPRM)

Coordenadas: -22.953897; -43.170898

  1. IFF – Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Fluminense – Campus Avançado Maricá

Coordenadas: -22.872931; -42.791778

  1. Defesa Civil de Maricá, RJ (SEPDEC – Maricá)

Coordenadas: -22.905672, -42.815305

  1. UVA

Coordenadas: -22.911792, -43.221337

Atividades realizadas:

As atividades realizadas são divididas em módulos. Cada módulo possui um tema principal e pode ser realizado em etapas, as quais, por sua vez, podem contemplar uma série de atividades: coleta de informações, oficinas participativas, rodas de conversa e de discussão, exposição de materiais diversos, exposição de maquetes e exposição fotográfica, realização de experimentos, práticas de observação, jogos, lanche coletivo e cursos.

O Projeto Espaço Fluir realiza atividades na Escola Municipal Tagore desde 2015. Os módulos apresentados a seguir foram executados de março de 2015 a julho de 2018 na Escola Municipal Tagore (EMT). Há sempre atividades novas sendo elaboradas, embora as existentes sejam sempre realizadas para os novos alunos.

Na chamada “Água [D+ ou D-] = Desastre ?” da Campanha #AprenderParaPrevenir de 2018 promovida pelo CEMADEN EDUCAÇÃO foram apresentadas e descritas as atividades realizadas nos módulos (A), (B) e (D) (informações disponíveis em http://200.133.244.149/2018/?p=930).

(A) Atividades iniciais;

(B) Espaço Fluir – Processo de formação de solos e rochas;

(C) Avaliação do Módulo B e planejamento de atividades;

(D) Espaço Fluir – Movimentos de Massa;

(E) Avaliação do Módulo D e planejamento de atividades;

(F) Espaço Fluir – Somos todos agentes de transformação do ambiente onde vivemos;

(G) Avaliação do Módulo F e planejamento de atividades;

(H) Espaço Fluir – Conceitos importantes;

(I) Avaliação do Módulo H e planejamento de atividades;

Já os módulos listados a seguir foram executados de agosto de 2018 a novembro 2019:

(J) Espaço Fluir e MOLIPDEC – Georreferenciamento – Oficina realizada na EMT em 29 de novembro de 2018;

(K) Avaliação do Módulo J e planejamento de atividades;

(L) Espaço Fluir e MOLIPDEC – Plano de Contingência – Oficina realizada na UFRJ e em evento Circuito Urbano 2019 realizado na UVA. Há previsão de a oficina ser realizada em dezembro de 2019 no IFF Maricá e no CPRM;

(M) Avaliação do Módulo L e planejamento de atividades;

(N) Espaço Fluir e MOLIPDEC – Jogos Educativos – 4 oficinas realizadas na EMT;

(O) Avaliação do Módulo N e planejamento de atividades;

(P) Espaço Fluir e MOLIPDEC – Minicurso sobre Educação para Redução dos Riscos e Desastres – Realizado na SEPDEC Maricá;

(Q) Avaliação do Módulo O e elaboração de novos módulos.

Nesta chamada de 2019, o tema da Campanha #AprenderParaPrevenir é “Reduzindo o risco de desastres: ações educativas em tempos de mudanças climáticas”. São descritas as atividades realizadas nos módulos (K), (L) e (N).

Módulo K – Avaliação do Módulo J e planejamento de atividades:

Este módulo corresponde à fase de avaliação das atividades realizadas no módulo anterior, que tratou de georreferenciamento, e ao planejamento do módulo seguinte.

Nesta fase foi definida a equipe executora para a oficina sobre plano de contingência, com prospecção de parceiros representantes da Defesa Civil de Maricá, da sociedade civil e especialistas (geografia, geologia, hidrologia e oceanografia) de diversas instituições (CPRM, UFRJ, UFF e IME). Procurou-se dar oportunidade a especialistas mulheres em alinhamento ao ODS 5 – Igualdade de Gênero (Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas), garantindo a participação plena e efetiva das mulheres especialistas e a igualdade de oportunidades para a liderança em todos os níveis de tomada de decisão no processo de elaboração da oficina. A equipe executora é formada por 12 pessoas entre especialistas, alunos e munícipes (8 mulheres e 4 homens).

Nesta etapa foram, também, elaborados os instrumentos pedagógicos utilizados nas oficinas temáticas sobre planos de contingência (módulo L).

Módulo L – Plano de Contingência:

Foi realizada oficina sobre Plano de Contingência – Caso Paula Ramos – Rio de Janeiro – RJ, na UFRJ em outubro de 2018.

Já a oficina sobre Plano de Contingência Caso da Cidade de Maricá – RJ foi realizada na UFRJ em 24 de outubro de 2019 e em evento da ONU HABITAT na Universidade Veiga de Almeida em 25 de outubro de 2019. A oficina está, ainda, prevista para ocorrer no IFF Maricá em dezembro de 2019 e no CPRM em 4 de dezembro de 2019.

Em 2018 a oficina intitulada “PRÁTICA DE ELABORAÇÃO DE PLANO DE CONTINGÊNCIA – UMA IMPORTANTE FERRAMENTA NA GESTÃO DO RISCO DE DESASTRES” foi realizada em parceria com a Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil (SUBPDEC Rio) e com o Centro de Operações da cidade do Rio de Janeiro (COR Rio). Foi utilizada, como estudo de caso, a comunidade Paula Ramos, localizada no bairro do Rio Comprido, nas proximidades do Túnel Rebouças, tendo como principal acesso a Rua Paulo de Frontin. Nesta comunidade entre os anos de 1986 e 2010 foram registrados três eventos de deslizamentos de blocos e lascas rochosas.

Nesta edição de 2019 a OFICINA “PRÁTICA DE ELABORAÇÃO DE PLANO DE CONTINGÊNCIA – UMA IMPORTANTE FERRAMENTA NA GESTÃO DO RISCO DE DESASTRES” foi realizada colaborativamente (ODS 17 – Parcerias e Meios de Implementação), no âmbito dos projetos ESPAÇO FLUIR e MOLIPDEC da UFRJ, em parceria com a Secretaria de Proteção e Defesa Civil de Maricá (SEPDEC – Maricá) e com especialistas de várias instituições (UFRJ,CPRM, IME e UFF). Com essa parceria, o cenário de análise do ano de 2019 foi o município de Maricá, no estado do Rio de Janeiro.

A oficina foi organizada por membros do PROJETO MOLIPDEC nas seguintes etapas:

(a) Exposição dos conceitos principais para elaboração de um plano de contingência – PLANCON; (b) Atividade prática- Elaboração de PLANCON para determinados cenários; (c) Apresentação dos materiais elaborados coletivamente e (d) Avaliação final.

A oficina intitulada “PRÁTICA DE ELABORAÇÃO DE PLANO DE CONTINGÊNCIA – UMA IMPORTANTE FERRAMENTA NA GESTÃO DO RISCO DE DESASTRES” trata das seguintes etapas da elaboração do PLANCON (BRASIL, 2017): Percepção de risco: a decisão de construir um plano de contingência (Cenários de risco); Constituição de um grupo de trabalho (Instituições públicas; Iniciativa privada e Sociedade civil); Análise do cenário de risco e cadastro de capacidades (Descrição do(s) cenário(s) de risco e Cadastro de recursos); Definição de ações e procedimentos (Definição de ações, procedimentos e recursos; Definição de atribuições e responsáveis; Definição de mecanismos de coordenação e operação e Definição de condições de aprovação, divulgação e revisão do plano); Aprovação (Consulta pública; Audiência pública e Validação); Divulgação do plano de contingência; Operacionalização e Revisão.

Cumpre destacar que contingência é conceituada em BRASIL (2017) como “situação de incerteza quanto a um determinado evento, fenômeno ou acidente, que pode se concretizar ou não, durante um período de tempo determinado”. O PLANCON torna-se uma ferramenta de planejamento da resposta, assim, sua elaboração deve ser no período de normalidade definindo-se os procedimentos, ações e decisões que devem ser tomadas na ocorrência do desastre. Já na etapa de resposta, tem-se a operacionalização do PLANCON, onde será posto em prática todo o planejamento realizado anteriormente, adaptado a situação real do desastre.

A oficina é iniciada com um jogo chamado “Vai Rolar?” de FREITAS (2019), o qual propicia processo reflexivo sobre cenários e riscos associados aos mesmos. Foi, também, verificada a importância da tomada de decisão de construir colaborativamente um plano de contingência, na fase de preparação, para que na fase de resposta as ações sejam mais efetivas e, de fato reduzam o risco de ocorrência de desastre, em alinhamento ao ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis (Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis).

Para a realização das atividades propostas na oficina são apresentadas, a seguir, as principais informações, as quais são baseadas em FREITAS (2018a).

Os participantes devem ser organizados em grupos de trabalho (divisão da turma em, no máximo, 8 grupos). Se possível cada grupo de trabalho deve conter membros representantes de instituições públicas, iniciativa privada e sociedade civil.

Cada grupo de trabalho conta com o auxílio de um mediador da oficina durante as atividades.

As abreviaturas utilizadas para identificar cada grupo se referem aos assuntos propostos como estudos de caso: TPN – Terminal Ponta Negra, MM – Movimentos de massa, IN – Inundações e EC – Erosão costeira. O assunto/estudo de caso de cada grupo pode ser definido por meio de sorteio ou livre escolha.

Na sequência cada grupo tem acesso aos seguintes materiais: (A) materiais para uso no grupo de trabalhos; (B) Materiais diversos para uso coletivo e (C) materiais em Painéis Temáticos de Chão (PTC) para uso e consulta coletiva.

Cumpre destacar que a concepção dos materiais é baseada em FREITAS (2018a). Já a elaboração dos mesmos, assim como na oficina SIAC 2018, foi realizada de forma colaborativa pelos participantes envolvidos na organização e/ou execução de atividades. Os materiais são descritos a seguir.

Resultados: 

Módulo K – Avaliação do Módulo J e planejamento de atividades:

(i) Foram estabelecidas diretrizes, de modo que a parceria estabelecida entre a Escola Municipal Tagore, as instituições parceiras (SEPDEC e IFF Maricá, CPRM, IME e UFF) e a Universidade (UFRJ) possa ser útil aos envolvidos.

(ii) Planejamento das atividades em alinhamento ao que é necessário e esperado por todos os envolvidos e às diretrizes estabelecidas inicialmente, as quais são constantemente revistas à medida que os módulos planejados são executados.

(iii) Cadastramento de voluntários (alunos e ex-alunos de diversos cursos da UFRJ e membros de instituições parceiras) para integrar a equipe executora.

(iv) Elaboração dos materiais utilizados no Módulo (L) e (N).

(v) Criação de estratégias para estabelecimento de vínculo harmonioso e empatia entre todos os integrantes da equipe executora, o que aumenta o engajamento, acelera a concretização dos resultados rápidos e potencializa atitudes persistentes para obtenção de resultados de médio prazo.

Módulo L – Plano de Contingência:

Resultados obtidos e /ou esperados ao final da oficina – Que os participantes tenham condições de:

(i) Identificar e compreender, mesmo que inicialmente, as etapas e os diversos atores e instituições envolvidas na elaboração de um Plano de Contingência – PLANCON;

(ii) Identificar ações antrópicas que gerem passivos socioambientais e potencializem as alterações climáticas e microclimáticas, bem como a ocorrência de eventos danosos;

(iii) Compreender que uma cidade sustentável e resiliente deve considerar as ações preventivas e de preparação para a Redução dos Riscos e dos Desastres (RRD);

(iv) Verificar que ações educativas possibilitam conhecer as causas, identificar os elementos em risco e entender como todos devem se comportar, até mesmo diante de uma situação de alerta de desastre ou por ocasião da emissão de alarme em comunidades monitoradas.

(v) Compreender que o processo de elaboração de Plano de Contingência deve, sempre que possível, contar com a participação da sociedade civil, instituições públicas, privadas e academia e ser aberto a toda a sociedade civil por meio de audiência pública e outros espaços para discussão.

(vi) Entender que mudanças globais climáticas estão sendo discutidas mundialmente com previsões que variam dos cenários mais tênues aos mais drásticos e alarmistas. Para as zonas costeiras (como o caso da cidade de Maricá, estudada) os efeitos dessas mudanças podem ser observados, por exmplo, por: variações na dinâmica costeira (ondas e correntes); intensificação de eventos extremos; aumento relativo do nível médio do mar; e mudanças na dinâmica sedimentar.

(vii) Verificar a necessidade de elaboração de estudos que apontem alternativas para a necessidade de urbanização e adaptações que melhor se adequem às características do complexo lagunar e da zona costeira maricaense.

(viii) Estimular que os participantes reflitam sobre os riscos ambientais que podem ocorrer (ou serem evitados) na localidade onde vivem, bem como sobre seus elementos potencializadores e estratégias de prevenção de desastres naturais e tecnológicos.

(ix) Entender, dada a própria ameaça à humanidade representada pelos efeitos severos das mudanças climáticas, que é necessária uma abordagem mais integrada para se adaptar e reduzir os riscos associados às mudanças climáticas.

(x) Compreender que as mudanças climáticas podem gerar tempestades mais severas, exacerbar as inundações e os processos erosivos costeiros, ocasionar temperaturas mais elevadas e secas e estiagens mais prolongadas.

(xi) Dar atenção especial ao risco nas cidades em rápido crescimento e em contextos complexos, como o caso de Maricá, RJ.

(xii) Compreender os desafios e os fatores causadores de perturbações como mudanças climáticas, perda de biodiversidade e degradação dos sistemas ecológicos, surtos de doenças (comuns após inundações e estiagens prolongadas, por exemplo), escassez de alimentos, agitação social, instabilidade e conflito político, instabilidade financeira e desigualdade.

(xiii) Entender que o risco de desastres em áreas urbanas tem sido comumente estudado da perspectiva de cidades individuais. No entanto, como as áreas urbanas fazem parte de uma rede social e econômica global, os impactos em uma área urbana podem influenciar outras regiões distantes.

(xiv) Entender que a expansão não planejada das cidades para acomodar populações crescentes geralmente gera uso inadequado da terra, onde a vulnerabilidade aos impactos das mudanças climáticas se combina com infraestrutura e serviços precários, agravando a situação.

(xv) Saber que, com os efeitos das mudanças climáticas no aquecimento do planeta, a incidência de incêndios aumentará e estes surgirão em áreas que antes não eram propensas aos mesmos.

(xvi) Saber que evidências recentes mostram que o planeta está superaquecendo e se tornando cada vez mais densamente povoado. E que mudanças climáticas, insegurança alimentar, rápida urbanização e níveis crescentes de poluição estão prejudicando a saúde humana e do ecossistema. Adicionalmente, as crescentes desigualdades de riqueza e acesso à tecnologia e recursos estão levando à desnutrição, conflitos e ao deslocamento (migração)de milhões de pessoas.

Cumpre salientar que o empreendimento chamado Terminais Ponta Negra (TPN), popularmente conhecido como Porto de Jaconé, tem sido discutido por membros do poder público, instituições privadas, instituições de ensino e pesquisa e sociedade civil.

No entanto, os espaços de discussão, bem como o acesso às informações relevantes relativas ao empreendimento ainda são incipientes, diante da importância do tema. O entendimento dos possíveis benefícios (ativos) e efeitos adversos (passivos) a serem gerados a partir da implantação e operação do empreendimento não é aceito por todos os envolvidos, em função das visões contrastantes a cerca do TPN.

Um aspecto importante, o qual não foi ainda discutido, é o plano de contingência (PLANCON) para desastres associados à operação do TPN (derramamento de produtos perigosos, incêndio, entre outros). Embora o plano de contingência (PLANCON) seja elaborado para cenários de riscos já instalados, propõe-se na presente oficina pensar-se em elementos relativos ao contingenciamento de situações relacionadas a estes cenários, ainda não existentes fisicamente, o que é algo inovador.

Módulo N – Espaço Fluir e MOLIPDEC – Jogos Educativos :

Resultados obtidos e /ou esperados ao final das oficinas – Que os participantes tenham condições de:

(i) Compreender os principais conceitos: ameaça, exposição, vulnerabilidade, desastre, risco e resiliência e a aplicação destes em situações concretas na comunidade local;

(ii) Estabelecer relação entre os conteúdos trabalhados e competências desenvolvidas em sala de aula (geografia, matemática, história, ciências, artes, etc…) com as atividades desenvolvidas nas oficinas, rodas e conversa e jogos propostos.

(iii) Desenvolver a habilidade de trabalhar sozinho e também em equipe, utilizando os conhecimentos adquiridos para resolver os desafios propostos nas atividades.

(iv) Estimular o processo observacional (o macro e o micro, o global e o detalhe)

(v) Entender o que é movimento de massa. Conhecer quais os tipos mais comuns, as principais causas (naturais e antropogênicas) e os sinais de instabilização de encostas.

(vi) Conseguir diferenciar ameaças naturais de desastres socioambientais. Entendendo os desastres como consequências de ações humanas insustentáveis,

 (vii) Conhecer a sazonalidade das ameaças.

(viii) Entender que há comunidades que mais influenciam as mudanças climáticas, enquanto outras são mais prejudicadas pelas mesmas (“Injustiça climática”).

(ix) Conhecer as tendências locais, nacionais e globais de risco e de desastres (os tipos de desastres).

(x) Relacionar as mudanças climáticas à frequência de ocorrência, à severidade e à abrangência dos desastres.

(xi) Relacionar as ações antrópicas à frequência de ocorrência, à severidade e à abrangência dos desastres.

(xii) Discutir como e porque os desastres podem ser devastadores para algumas comunidades, enquanto outras saem relativamente ilesas. Entender que desastres têm impactos diferenciados.

(xiii) Compreender que há grupos como crianças, idosos e portadores de necessidades especiais, por exemplo, que podem ser especialmente afetados por desastres;

(xiv) Entender que os seres humanos são atores dentro dos ecossistemas e que determinados comportamentos e práticas podem ser prejudiciais ao meio ambiente.

(xv) Compreender que todos nós somos agentes importantes no estabelecimento de práticas e comportamentos seguros para redução do risco de desastres.

(xvi) Entender que o risco de desastres (probabilidade de um evento danoso ocorrer e suas consequências) é afetado pela intensidade do perigo, grau de exposição (espacial e temporal) e pela vulnerabilidade, entendendo que esta última é temática (por exemplo, ambiental, social e institucional). E que o risco pode ser reduzido em função da capacidade da sociedade de lidar com ele.

(xvii) Conhecer os Objetivos do desenvolvimento Sustentável (ODS).

Finalmente, as crianças tiveram oportunidade de aprender sobre tipos de ameaças, exposição, vulnerabilidade e risco e sobre ações sustentáveis para redução do risco de desastres associados a deslizamentos, inundações, alagamentos, erosão costeira, dentre outras ameaças (foram tratados 13 tios de ameaças, as geohidrológicas). Entenderam, também, como as mudanças climáticas influenciam a ocorrência de desastres socioambientais.

Como pontos frágeis observados, pode-se citar a quantidades de materiais de auxílio que foram elaborados para a partida do jogo Cidade Resiliente, o que contradiz a recomendação usual de manter a montagem em até 10 folhas para facilitar a reprodução e também vai contra uma postura correta de redução de uso de papel. Uma maneira interessante de contornar isso pode ser pela criação de uma versão digital do mesmo ou pela sugestão de uso de papel reciclável para sua impressão. Além disso, sua prática pode ser considerada complexa e o tempo de partida ultrapassa os 30 minutos recomendados pela Escola Alemã de Jogos, podendo ser tornar cansativa. Contudo optou-se pelo formato atual como uma forma de englobar ao máximo importantes conteúdos relacionados à redução de risco de desastres.

Outras informações: 

Os participantes do Projeto ESPAÇO FLUIR, dentre os quais, alunos, professores, pesquisadores e especialistas, são oriundos de instituições e/ou programas parceiros: Escola Politécnica da UFRJ, Escola Municipal Tagore (EMT), Programa de Projeto de Estruturas da UFRJ (PPE UFRJ) e Serviço Geológico do Brasil (CPRM).

Já os participantes (alunos, professores, pesquisadores e especialistas) das ações do Projeto MOLIPDEC são oriundos das seguintes instituições e/ou programas parceiros: Escola Politécnica da UFRJ, Escola Municipal Tagore (EMT), Programa de Projeto de Estruturas da UFRJ (PPE UFRJ), Programa de Engenharia Urbana da UFRJ (PEU UFRJ), Secretaria de Proteção e Defesa Civil do Município de Maricá (SEPDEC Maricá), Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil do Município do Rio de Janeiro (SUBPDEC Rio), Centro de Operações Rio (COR Rio), Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Universidade Federal Fluminense (UFF) e Instituto Militar de Engenharia (IME).

O Projeto Espaço Fluir realiza atividades na Escola Municipal Tagore desde 2015. Há oficinas novas sendo elaboradas para o próximo ano, embora as existentes sejam sempre realizadas para os novos alunos.

Como há um vínculo afetivo entre a coordenadora do projeto Espaço Fluir e a Escola Municipal Tagore, pelo fato de ter sido aluna desta, possivelmente o Espaço Fluir terá vida longa.

Neste ano de 2009 procurou-se propiciar a difusão das atividades em outros locais e o estabelecimento de novas parcerias, deste modo foi possível ampliar a rede de pessoas e comunidades beneficiadas pelas ações dos Projetos Espaço Fluir e Molipdec com ajuda de instituições e especialistas parceiros (SEPDEC Maricá, CPRM, UFF e IME) que, em 2019, passou a contemplar dois municípios (Rio de Janeiro e Maricá).

Como ação futura, importante salientar que este texto é baseado em parte do material dos projetos. E, assim como os demais materiais elaborados pelo grupo, bem como os resultados obtidos nas oficinas, estes irão compor publicação no formato de livro digital, a qual será, posteriormente, disponibilizada aos participantes e colaboradores da oficina intitulada “PRÁTICA DE ELABORAÇÃO DE PLANO DE CONTINGÊNCIA – UMA IMPORTANTE FERRAMENTA NA GESTÃO DO RISCO DE DESASTRES”, cuja metodologia é baseada em FREITAS (2018a).

REFERÊNCIAS:

BRASIL. Política Nacional de Proteção e Defesa Civil – PNPDEC. Brasília: Presidência da República, 2012. Lei Federal nº 12.608. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12608.htm>.

BRASIL. Instrução Normativa nº 2. Brasília: Ministério da Integração Nacional, 2016. 2. Disponível em: <http://www.mdr.gov.br/images/stories/ArquivosDefesaCivil/ArquivosPDF/legislacao/Portaria-MI-2—2017–.pdf>.

BRASIL. Módulo de formação: elaboração de plano de contingência – livro base. Brasília: Ministério da Integração Nacional, 2017. Disponível em: <http://www.mdr.gov.br/images/stories/ArquivosDefesaCivil/ArquivosPDF/publicacoes/II—Plano-de-Contingencia—Livro-Base.pdf>.

CEMADEN EDUCAÇÃO (2019). Guia da Campanha #AprenderParaPrevenir. Disponível em: <http://educacao.cemaden.gov.br/aprenderparaprevenir2019/?page_id=16>.

FREITAS, A. C. (2019). Jogo “VAI ROLAR?” – Proposta de atividade educativa na área de RRD para sensibilização de grupos intergeracionais. Artigo em elaboração.

FREITAS, A. C. (2018a). 2º Relatório Técnico –  Projeto MOLIPDEC – Modelo de Levantamento de Informações dos Órgãos Municipais d Proteção e Defesaa Civil.

FREITAS, A. C. (2018b). Prática de Elaboração de Plano de Contingência – Uma Importante Ferramenta na Gestão do Risco de Desastres OFICINA SIAC UFRJ.

FREITAS, A. C. (2014). Projeto Espaço Fluir. Ações educativas para redução dos riscos e dos desastres. Coordenação: Freitas, A.C. – UFRJ.

MOLIPDEC (2018). Projeto MOLIPDEC-RJ – Modelo de Levantamento de Informações dos Órgãos Municipais de Proteção e Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro. Coordenação: Freitas, A.C.. UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro. De: 09/01/2018 a 29/12/2020. Disponível em: <http://sigproj1.mec.gov.br/apoiados.php?projeto_id=294667> e  <http://sigproj.ufrj.br/projetos/imprimir.php?modalidade=0&projeto_id=286862&local=home&modo=1&original=1>

UFSC/CEPED. Atlas Brasileiro de Desastres Naturais – 1991 a 2012. Volume Brasil. Florianópolis: Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres, 2013.

 

13 comentários sobre “Universidade Federal do Rio de Janeiro/RJ

  1. Lauro Oliveira

    Professora, formidável. Isso que é fazer sair da caixinha.

    Essa é a materialidade daquilo que nós da ponta nos municípios precisamos que refletirá abundantemente nas comunidades e sociedades em risco e áreas vulneráveis. Utilizando parte do texto “concepção, planejamento e elaboração de atividades e instrumentos pedagógicos, na instalação de espaços lúdicos e na aplicação de oficinas”.

    Atualmente são poucos os municípios com este compromisso e com uma batida forte e crescente em trabalhar com esta seriedade com a transversalidade dentro das escolas pois lá será nossa maior semeadura e riqueza a médio e longo prazo.

    Triste ver muitos pedagogos sem ânimo e desestruturação do ensino de base com baixíssimos incentivos.

    Precisamos implantar essas políticas e ferramentas no bojo e na cultura do ensino de fundamental e médio.

    Parabéns pois somos agraciados com esta ação que trabalha de forma muito latente as premissas da ODS da UNU, Marco Regulatório de Sendai e comprindo a determinação da Lei Federal 12.608/12.

  2. Enzo

    Projetos incríveis !!! Enriquecimento científico e social ! Me tornou uma pessoa muito melhor. Uma honra ter participado.
    Parabéns a todos os envolvidos! Alessandra, obrigado por ser essa pessoa impar !

  3. Caetano Costa dos Santos

    Sensacional. Muito comprometimento e muita técnica envolvidos . Uma ótima iniciativa, meus parabéns a Alessandra por ser essa pessoa maravilhosa e a todos envolvidos numa busca de iniciativas de interação com a sociedade como essa !!
    Forte abraço e muito sucesso

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